PORQUE É QUE O VINHO É SELADO COM UMA ROLHA DE CORTIÇA?

Porque é que o vinho é selado com uma rolha de cortiça?

Um vinho é um produto natural que pede — e merece — ser vedado na garrafa com um produto igualmente natural.

Os antigos faziam-se valer dos meios ao seu dispor para preservar o vinho, e assim surgiram os balseiros, as barricas e as quartolas. Para selar esses recipientes, recorreram à cortiça, aproveitando as suas propriedades únicas.

As propriedades que tornam a cortiça especial

Porque é que a cortiça ganhou este papel tão nobre? Desde logo, porque era abundante em toda a bacia mediterrânica — a mesma região onde o vinho tem as suas raízes. Bastou unir a utilidade à proximidade: cortiça e vinho tornaram-se parceiros naturais.

A cortiça é um vedante perfeito: incha em contacto com os líquidos, garantindo a estanqueidade da garrafa, e — o mais importante — não transmite qualquer sabor ao vinho que protege.

Por tudo isto, a cortiça sobreviveu até hoje como o vedante de excelência dos grandes vinhos. Tão habituados estamos a ela, que um vinho selado de outra forma tende, injustamente, a gerar desconfiança.

Uma curiosidade vinda da Antiguidade

Vale a pena recordar uma história curiosa do Império Romano. O transporte de vinhos era um desafio de segurança e conservação: o recipiente não podia partir nem deixar escapar o líquido precioso.

Os romanos, que exportavam vinhos para a Grécia, selavam as ânforas com cortiça e depois com resina para garantir total vedação. Mas, por vezes, o calor fazia com que a resina entrasse em contacto com o vinho, transmitindo-lhe o seu sabor.

O mais interessante é que os gregos começaram a apreciar esse sabor — tanto que ainda hoje existe o famoso vinho com gosto a resina: o Retsina. Uma herança acidental… mas deliciosa!

E esta, hein?

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